sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Estou faro disto tudo! - Tiago Mesquita - 100 Reféns.

Estou farto de ver o país sequestrado por corruptos. Farto de ver políticos a mentir. Farto de ver a Constituição ser trespassada. Farto de ver adolescentes saltitantes e acéfalos, de bandeira partidária em punho, a lamberem as botas de meia dúzia de ilusionistas. Farto de oportunistas que, após mil tropelias, acabam a dirigir os destinos do país. Farto de boys que proliferam como sanguessugas e transformam o mérito em pouco mais do que uma palavra. Farto da injustiça social e da precariedade. Farto da Justiça à Dias Loureiro. Farto dos procuradores de pacotilha. Farto de viver num regime falso, numa democracia impositiva. Farto da austeridade. Farto das negociatas à terceiro mundo. Farto das ironias, da voz irritante, dos gráficos e da falta de sensibilidade de Vítor Gaspar. Farto dos episódios inacreditáveis do 'Dr.' Relvas, das mentiras de Passos Coelho e da cobardia de Paulo Portas. Farto de me sentir inseguro cada vez que ouço José Seguro. Farto de ter uma espécie de Tutankhamon como Presidente da República. Farto dos disparates do Dr. Mário Soares.
Estou farto de ver gente a sofrer sem ter culpa. Farto de ver pessoas perderem o emprego, os bens, a liberdade, a felicidade e muitas vezes a dignidade. Farto de ver tantos a partir sem perspectivas, orientados pelo desespero. Farto de silêncios. Farto do FMI e da Troika. Farto de sentir o pânico a cada esquina. Farto de ver lojas fecharem a porta pela ultima vez e empresas a falir. Farto de ver rostos fechados, sufocados pela crise. Farto dos Sócrates, Linos, Varas, Campos e outros a gozarem connosco depois de terem hipotecado o futuro do país. Farto da senhora Merkel.
Estou farto de ver gente miserável impor a miséria a milhões. Farto da impunidade. Farto de ver vigaristas, gente sem escrúpulos, triunfar. Farto de banqueiros sem vergonha, corresponsáveis em tudo, a carpirem mágoas nos meios de comunicação social. Farto de ver milhares de pessoas a entregarem as suas casas ao banco. Farto de vergonhas como o BPN e as PPP. Farto de ver um país maltratar os seus filhos e abandoná-los à sua sorte. E, finalmente, estou farto de estar farto e imagino que não devo estar só.
 
Também farto disto tudo!!!


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Presidente da República deste país existe?

CARTA ABERTA DE MAIS UMA QUE PARTE

Exmo. Sr. Presidente da República,

Começo hoje o meu caminho de saída. Saio do meu país levando comigo os meus trinta anos, os meus sonhos, a minha força e vontade de trabalhar. Saio do meu país escorraçada por uma economia podre e corrupta; por políticas sujas e elitistas; por políticos que há mais de trinta anos governam as suas vidas ao invés de governar o país. Onde o senhor se inclui, Sr. Presidente da República.
...
Começo hoje o meu caminho de saída. E deixo para trás um país que premeia o trabalho com pedidos de sacrifícios, o esforço de uns com a opulência descarada da vida de outros, os sonhos com frustração e desespero. Deixo um país a lutar pelo futuro e levo comigo a mágoa de não ficar para a luta. Mas a minha vida já esperou de mais; o meu filho de dois anos já esperou demais, já deve demais. Viver neste país tem sido uma teimosia que, para mim, termina agora.

Não sei se volto. Farei parte da grandiosa diáspora que V/ Ex.ª se farta de elogiar e louvar em folclóricos eventos, de gente que foi escorraçada do seu país? Serei um dos brilhantes cérebros em que os país investiu e que, estupidamente, mandou embora? Serei um dos repetidos exemplos daqueles que só depois de deixar o país alcançam o respeito do mesmo país que os ignorou enquanto lutavam por ele? Serei uma pessoa, mais uma, uma cabeça e um corpo a lutar num país que não é o seu? Isso, de certeza.

Deixo o meu país e sei que vou encontrar oportunidades novas e novos desafios. Mas não vo-lo agradeço. E dispenso os discursos paternalistas de que "há males que vêm por bem", de que devo receber com entusiasmo as dificuldades da minha vida porque elas escondem oportunidades imperdíveis. Dispenso esse discurso porque o meu país me retirou a possibilidade de escolha. Dispenso o seu paternalismo. A sua pena. O seu desprezo pela classe a que pertenço. Dispenso os seus discursos, os seus silêncios, as suas palavras, as suas reservas em contribuir para a governação de um país onde é Presidente da República. Dispenso-o.

Ainda assim, dirijo-me a si, porque, contra a minha concordância e o meu voto, é o Presidente da República do meu país. E tem responsabilidades, E devia pagar pela culpa que tem no estado a que as coisas chegaram. E como não paga, tem, ao menos, de me ouvir.

Começo hoje o meu caminho de saída. De si, Sr. Presidente da República que se dispensa de o ser, dispenso tudo. De si e de todos aqueles que, neste momento, encaminham o meu país para o abismo.

Ana Isabel Oliveira

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Barracada em duodécimos - Daniel Oliveira no "Expresso on-line"

Mais uma "barracada" do governo. Foi assim que o bastonário da Ordem dos Oficiais de Contas definiu o atraso na publicação do diploma que define o pagamento dos duodécimos dos subsídios. Deste atraso resulta uma confusão total nas empresas, que estão impossibilitadas de fazer qualquer tipo de planeamento na gestão de tesouraria, o que pode implicar negociações com os bancos. Coisa que, a 10 de janeiro, já é virtualmente impossível. Resultado: o primeiro duodécimo dificilmente será pago este mês. Estamos a meio do mês e ainda ninguém sabe quanto vai pagar ou receber. O bastonário António Domingues Azevedo resume bem o estado do País: "estamos a ser governados por rapazes que não sabem o que estão a fazer".
O improviso, em que tudo é feito em cima do joelho e apresentado como se de medidas longamente refletidas se tratassem, é a imagem de marca deste governo. Não é difícil de perceber porque é que isto acontece. Com um ministro das Finanças sem qualquer conhecimento da realidade económica do País - como grande parte das medidas que impõe demonstram -, um ministro da Economia que nunca conheceu uma empresa e um primeiro-ministro que, sem qualquer experiência executiva, pequena que seja, nada sabe sobre o funcionamento do Estado, é natural que a nenhuma medida corresponda um planeamento que tenha em conta a exequibilidade de cumprir prazos.
Esta ignorância dos que ocupam os lugar-chave no governo não explica apenas a sua incompetência. Explica a insensibilidade social com que governam. Quem não sabe é como quem não vê, quem não vê é como quem não sente.
Perante esta colossal trapalhada, não ficariam a gerir empresa exigente nem mais um dia. Mas eles são os que acham que a má gestão está na natureza do Estado. E encarregam-se de confirmar as suas próprias convicções. O que me espanta é como podem, tendo em conta o seu miserável desempenho, pedir rigor e competência aos portugueses.


domingo, 23 de dezembro de 2012

BPN, ainda o escândalo, ainda a impunidade.

Quem leu o Expresso deste fim-de-semana e quem viu, ontem, a reportagem especial da SIC sobre o BPN não pode ter deixado de ficar, como eu fiquei, com uma espécie de nojo. Tudo aquilo é mau de mais para ser verdade. Nós todos, contribuintes, os pobres, os remediados, os ricos, estamos a pagar a irresponsabilidade de uns, muito poucos, cujos nomes se repetem à exaustão.
Esses nomes, com o de Oliveira Costa à cabeça, e os de Duarte Lima, Dias Loureiro e Arlindo Carvalho como os mais conhecidos, têm todos em comum o facto de terem trabalhado para (ou com) o atual Presidente da República. O mesmo acontece com Joaquim Coimbra, Fernando Fantasia, membros da Comissão de Honra de Cavaco e este último seu vizinho na praia, e com a filha de Oliveira Costa com casa de férias no mesmo local.
Há um padrão inelutável, que não significa obrigatoriamente um envolvimento menos legal de nenhum dos citados, mas lança uma sombra sobre o que se tem passado com o BPN. O buraco que em Novembro de 2008, quando foi nacionalizado, se estimava em 740 milhões, ia em março em mais de quatro vezes esse valor, ultrapassando os três mil milhões, e deverá atingir, com as imparidades e créditos incobráveis, os sete mil milhões.
Quase o custo do ministério da Saúde, durante um ano. Tudo isto em dívidas de não mais de 500 pessoas, boa parte das quais relacionadas politica e pessoalmente.
Quando, há quatro anos duvidei da nacionalização, quase todos (incluindo bons amigos e especialistas em Economia) me alertaram para o facto de haver um risco sistémico grande em deixar o BPN falir. Sempre contra-argumentei, que não se pode distribuir os danos de alguns por todos - o que se está agora a fazer.
Já nem digo que gostava de ver todas as responsabilidades apuradas. Dos nomes citados, de outros que por aí andam, daqueles que nacionalizaram o banco e dos que permitiram que ele fosse governado criminosamente.
Apenas apreciaria ver uma dessas pessoas pedir desculpa pelo que nós, contribuintes que nada tivemos a ver com aquilo estamos a pagar. Mas parece-me que é mais fácil acabar o mundo do que ver um pingo de vergonha na maioria daquelas caras.


Autor: Henrique Monteiro http://www.facebook.com/hmonteiro