quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Zeca Afonso - Cantigas de Maio

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José Afonso: Aveiro 2 de Agosto de 1929 - Setúbal 23 de Fevereiro de 1987

Faz hoje 24 anos sobre a data da morte de Zeca Afonso. Fui seu aluno pelo que tive o previlégio de conhecer um grande anti-fascista e um Homem de grande humildade e de extrema bondade!!! Aqui fica a minha homenagem com uma das suas mais belas músicas. Pessoalmente é a que mais gosto...

Revolta na Líbia...


"América e União Europeia, por favor parem-no! Ele vai matar todo o povo líbio"


Apelo de um estudante Líbio a uma jornalista do "expresso"...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Testamento - Poema de Alda Lara - Poetisa Angola

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Testamento

À prostituta mais nova

Do bairro mais velho e escuro,

Deixo os meus brincos, lavrados

Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida

Rapariga sem ternura,

Sonhando algures uma lenda,

Deixo o meu vestido branco,

O meu vestido de noiva,

Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo

Ofereço-o àquele amigo

Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus

Das contas de outro sofrer,

São para os homens humildes,

Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,

Esses, que são de dor

Sincera e desordenada...

Esses, que são de esperança,

Desesperada mas firme,

Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,

Em que a minha alma venha

Beijar de longe os teus olhos,

Vás por essa noite fora...

Com passos feitos de lua,

Oferecê-los às crianças

Que encontrares em cada rua...

Alda Lara
(Benguela, Angola, 9.6.1930 - Cambambe, Angola, 30.1.1962)


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Moção de Censura...Carnavalesca!

Francisco Louçã anunciou no parlamento uma moção de censura ao governo a apresentar no dia 10 de Março. Quatro dias antes havia afirmado que uma moção de censura neste momento não teria «utilidade prática».
No dia seguinte, já arrependido, não fosse o diabo tecê-las e a moção ser aprovada e, com lugar as novas eleições, o Bloco de Esquerda (BE) desaparecesse do panorama político, encarregou o líder parlamentar José Manuel Pureza de anunciar que a moção de censura era contra o governo e contra o PSD!
O BE, ao anunciar que a moção era contra o governo e contra o PSD abriu, descaradamente, as portas à fuga do PSD para a não aprovação da moção de censura não permitindo assim uma clarificação política. O PSD ficou com a vida facilitada. Viu-se pela correria de vários dirigentes do PSD aos canais de TV para afirmarem que não fazia sentido a aprovação da moção do BE. Sabemos o motivo: é que ainda não é o momento oportuno para o PSD derrubar o governo. O trabalho ainda não está completo. O ideal seria a chegada do FMI. Não no interesse do país e do povo português mas no interesse do PSD. Desculparia muitas coisas...
O BE, ao contrário do que afirmam os dirigentes do PSD, não fez um favor ao governo com a apresentação desta moção de censura. Fê-lo sim ao PSD!
O BE que representou uma "pedrada no charco" e uma "lufada de ar fresco" no panorava político português está a revelar-se um partido imaturo. E muito provavelmente vai sofrer as consequências...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Cálice"

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"CÁLICE"

"Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue...(2x)



Como beber

Dessa bebida amarga

Tragar a dor

Engolir a labuta

Mesmo calada a boca

Resta o peito

Silêncio na cidade

Não se escuta

De que me vale

Ser filho da santa

Melhor seria

Ser filho da outra

Outra realidade

Menos morta

Tanta mentira

Tanta força bruta...



Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue...



Como é difícil

Acordar calado

Se na calada da noite

Eu me dano

Quero lançar

Um grito desumano

Que é uma maneira

De ser escutado

Esse silêncio todo

Me atordoa

Atordoado

Eu permaneço atento

Na arquibancada

Prá a qualquer momento

Ver emergir

O monstro da lagoa...



Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue...



De muito gorda

A porca já não anda

(Cálice!)

De muito usada

A faca já não corta

Como é difícil

Pai, abrir a porta

(Cálice!)

Essa palavra

Presa na garganta

Esse pileque

Homérico no mundo

De que adianta

Ter boa vontade

Mesmo calado o peito

Resta a cuca

Dos bêbados

Do centro da cidade...



Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue...



Talvez o mundo

Não seja pequeno

(Cálice!)

Nem seja a vida

Um fato consumado

(Cálice!)

Quero inventar

O meu próprio pecado

(Cálice!)

Quero morrer

Do meu próprio veneno

(Pai! Cálice!)

Quero perder de vez

Tua cabeça

(Cálice!)

Minha cabeça

Perder teu juízo

(Cálice!)

Quero cheirar fumaça

De óleo diesel

(Cálice!)

Me embriagar

Até que alguém me esqueça

(Cálice!)"



Chico Buarque e Gilberto Gil (composição) com participação de Milton Nascimento

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Tudo depende da posição...

Segundo estudos recentes,

parado, fortalece a coluna;

de cabeça baixa estimula a circulação do sangue;

de boca para cima é mais prazeroso;

sozinho, é estimulante, mas egoísta;

em grupo, pode até ser divertido;

no banho é muito arriscado;

no automóvel, pode ser perigoso...

Com frequência desenvolve a imaginação;


entre duas pessoas, enriquece o conhecimento;

de joelhos, pode resultar doloroso...

Enfim, sobre a mesa ou no escritório,

antes de comer ou na sobremesa,

sobre a cama ou na rede,

nus ou vestidos,

sobre o sofá ou no tapete,

com música ou em silêncio,

entre lençóis ou no closet:, sempre é um ato de amor e de enriquecimento.

Não importa a idade, nem a raça, nem a crença, nem o sexo, nem a posição socioeconômica...



Ler é um prazer!!!



DEFINITIVAMENTE,LER É DESFRUTAR DA IMAGINAÇÃO, E VOCÊ


ACABA DE EXPERIMENTAR...


... E COMPROVAR.


ENRIQUEÇA SEU HÁBITO PELA LEITURA!!



Como dizia Orlando de Miranda Henriques Filho: "Quanto mais leio,mais me'instruo'..."

Autoria:  Desconhecida. Recebido por e-mail.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Guerra Colonial - Faz hoje 50 anos que teve o seu inicio...

“Estou da cor dos turras”

Ninda, Leste de Angola, 2 de Maio de 1970. Alguns militares banhavam-se no rio. O helicóptero de serviço de socorros na zona de Gago Coutinho sobrevoou-os, por brincadeira, em voo rasante. Ao subir, bateu com a cauda no chão e caiu. O piloto e o mecânico ficaram feridos no acidente.

A poucos quilómetros de distância, uma coluna militar de reabastecimentos partia de Gago Coutinho para o destacamento militar de Mussuma onde estavam aquartelados uma vintena de soldados. Picada difícil, sempre infestada de dificuldades – daí os militares que lá serviam raramente serem reabastecidos, o que provocava uma alimentação muito deficiente, onde predominava o célebre arroz com salsichas ao almoço e as salsichas com arroz ao jantar.

Poucos quilómetros percorridos, surgia o primeiro obstáculo: um engenho explosivo, de fabrico rudimentar, a que dávamos o nome de mina, imobilizava a viatura dianteira, uma Berliet. Dada a natureza deste tipo de viatura, bastante robusta, apenas se verificaram danos materiais e a perda de algumas horas preciosas para a pôr operacional. Destacou-se nesta emergência o Nunes, 1º cabo mecânico, que em gesto de solidariedade para com os camaradas condutores, sobrecarregados de serviço, seguia como voluntário na condução de uma viatura na marcha para o destacamento que aguardava o reabastecimento. Muito activo, em tronco nu, desenvolve enorme esforço para que a perda de tempo fosse diminuta. A transpiração, a areia suja da picada, o óleo da viatura puseram-no negro. E a sua voz fez-se ouvir: «Estou da cor dos turras. Portanto, em mim não tocam!».

Recomeçou-se a marcha. Muito lentamente, a coluna ia-se aproximando do destacamento. A picada era péssima. Muito arenosa e estreita, com o denso arvoredo da floresta a querer engolir-nos. A noite aproximava-se. Notava-se, em nós, uma certa tensão. Nisto, um estrondo enorme fez-se ouvir. Uma poeirada negra de pó e dinamite flutuava no ar. A última viatura da coluna, um frágil Unimog fizera accionar uma mina. Era conduzida pelo Nunes.

O Nunes ficou ferido. Fracturas múltiplas numa das pernas. Comunicou-se, via rádio, para Gago Coutinho, pedindo a evacuação do ferido. A resposta fulminou-nos. O helicóptero sofrera um acidente em Ninda, pelo que não eram possíveis os socorros no local da explosão. Teríamos que levar o ferido até ao destacamento e depois se veria.

Noite cerrada quando se chegou ao destacamento. Entretanto, num gesto de coragem, o piloto da DO, pequena avioneta de serviço em Gago Coutinho, levanta voo em direcção a Mussuma, na tentativa de evacuar o ferido, dando instruções para que a pista de aterragem fosse iluminada de qualquer maneira.

Sofregamente, os militares arrancaram capim, amontoando-o em volta da pequena pista, pegando-lhe seguidamente fogo. Estava encontrado o expediente para iluminar a pista.

A aterragem da DO dá-se no meio de grande expectativa e dificuldade. Mas conseguiu-se que o Nunes fosse evacuado para Gago Coutinho, onde seria possível alguma assistência, ainda que precária.

Na manhã do dia seguinte regressámos a Gago Coutinho sem qualquer acidente. Soubemos que, para a DO aterrar, a pista fora iluminada pelas várias viaturas existentes no aquartelamento e que, pela manhã, o Nunes havia sido evacuado para o Hospital Militar do Luso. Respirámos aliviados. É que, apesar de todas as peripécias, não contávamos ainda com qualquer morto em combate.

Dias depois, a notícia chegou-nos fria e brutal. O Nunes havia morrido, vítima de embolia…

Jorge Silva Santana


Este texto é uma homenagem a um camarada morto em combate. O Nunes. Um verdadeiro herói anónimo. Morreu porque se ofereceu como voluntário. Por solidariedade para com os seus colegas...















terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Inauguração da remodelação do Cine-Teatro Louletano

Fotos origem: Jornal barlavento

Está de parabéns a autarquia de Loulé e seus munícipes. Apesar do montante elevado investido na recuperação do Cine-Teatro nada há a criticar pela opção feita: a recuperação do edifício mantendo toda a sua arquitectura inicial e criando as infraestruturas necessárias para bem receber o público e os espectáculos.